segunda-feira, 23 de novembro de 2015

CPI que investiga assassinatos de jovens promove audiência em Lauro de Freitas

Mortes de jovens negros nas periferias de Salvador foram discutidas por políticos, entidades e representante da ONU


Em média, 1.500 pessoas morreram de forma violenta nos últimos cinco anos em Salvador, sendo que 40% dessas mortes ocorreram em duas regiões da cidade, nas Áreas Integradas de Segurança Pública (AISPs) de Tancredo Neves e Periperi, que compreendem 37 bairros da capital. Entre as vítimas, 70% são negros.

Esses dados foram debatidos na audiência pública que reuniu nesta segunda-feira (23), no Cine Teatro Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador, membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado que apura o número de mortes violentas de jovens, em especial de jovens negros moradores de periferias.

O município de Lauro de Freitas foi escolhido para o debate porque, segundo os dados do Mapa da Violência deste ano, entre as 100 cidades com as maiores taxas de homicídios de adolescentes de 16 e 17 anos, Lauro de Freitas ocupa o segundo lugar. O primeiro e terceiro lugares estão também na Bahia: Simões Filho e Porto Seguro, respectivamente.

De acordo com o Diagnóstico dos Homicídios no Brasil, divulgado pelo Ministério da Justiça no mês passado, a taxa de Salvador é de 43,6 homicídios para cada 100 mil habitantes. Os índices das cidades baianas se aproximam dos países mais violentos do mundo.

No evento, Márcia Calazans, consultora do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), lembrou que seriam consideradas toleráveis taxas de dez homicídios para cada 100 mil habitantes. "Todos os organismos internacionais são vigilantes em relação a esses fatos no Brasil. Essa pesquisa começou em 2010 porque havia um índice muito grande de letalidade, em que há policiais que matam ao mesmo tempo que morrem. É um discurso de uma guerra", declarou Márcia, umas das integrantes da mesa.

Ela alertou que os dados repercutem no exterior. "Isso coloca o Brasil em pior condição de visibilidade internacional. Estamos no ranking de morte em primeiro lugar em relação aos homicídios de adolescentes. Por isso, uma audiência pública é importante. Se não houver essa discussão, é pouco provável que vamos conseguir mexer nesses indicadores", declarou Márcia.

Participaram também do debate pais que tiveram filhos mortos durante ações policiais, entre eles o capoeirista Joel Castro, pai de Joel da Conceição Castro, morto aos dez anos em 2010, quando foi baleado durante uma ação da 40ª Companhia Independente de Polícia Militar. O menino se preparava para dormir quando foi atingido dentro de casa, no Nordeste de Amaralina. “Até agora não deu em nada. Peço a Deus que o julgamento dos homens chegue um dia. Sábado fez cinco anos que meu filho morreu”, disse ele, aplaudido em seguida.


O trabalho da CPI

A CPI foi instalada em maio e já realizou 19 audiências públicas itinerantes pelo país. A comissão é presidida pela senadora baiana Lídice da Mata (PSB), e as audiências fazem parte do primeiro trabalho da CPI, que é o de diagnóstico, com escuta de especialistas e pesquisadores do tema.

As propostas de intervenções irão para o relatório final, que está sob a responsabilidade do senador Lindebergh Farias (PT-RJ). O relatório, esperado para o mês de fevereiro de 2016, deve apresentar propostas de ações para diminuir o número de assassinatos de jovens. 

Estudos analisados pela comissão apontam que 42 mil adolescentes entre 12 e 18 anos poderão ser assassinados em seis anos nas cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes, como é o caso de Salvador e RMS. As cidades do Nordeste têm as maiores taxas de letalidade.

Fonte: Correio da Bahia

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